Padrão Asaas DesignOps · Liderança de Iniciativa

Da dispersão
ao padrão.

O time avaliou o próprio processo e deu nota baixa, sem saber dizer exatamente por quê. Encabecei a investigação, cruzei teoria, benchmark e a prática real do time, e distribuí a construção do guia entre os designers que iam usá-lo todo dia.

Página do guia 'Chegou uma demanda. E agora?' ao lado do resumo da solução: documentação do processo de design, requisitos mínimos, aplicáveis a demandas de todos os portes
29
Materiais catalogados entre teoria e benchmark
10+
Empresas de referência analisadas
6
Templates criados, cobrindo 100% das etapas
6
Designers puxados para construir junto

Impacto de adoção (retrabalho, onboarding) segue em validação. Coleta prevista para Q4. Ver seção 07.

01Contexto

De onde isso veio.

Partiu de uma agenda da tribo onde realizamos uma dinâmica na planilha de Health Check da tribo, onde cada designer avaliou a saúde do dia a dia, com espaço reservado para sugestões e oportunidades de melhoria.

Recorte do Health Check da tribo: pergunta sobre processo avaliada pela equipe
Fig. 01: Health Check da triboO recorte que disparou o projeto: "Sinto que o processo funciona no meu contexto", nota baixa, sem consenso sobre o porquê.
02Problema

Cada squad decidia no feeling o que era suficiente para avançar de fase.

O tema processos teve neutralidade generalizada, e puxava junto outros indicadores como "Valor final", "Produtividade" e "Cadência".

O processo de design não tinha padrão, cada squad decidia no feeling o que era "suficiente" antes de avançar de fase, algo que só ficou visível quando o time parou pra falar sobre isso. Faltava um documento de requisitos mínimos, dizendo o que precisa estar pronto antes de avançar do entendimento para solução.

03Objetivo

Criar um documento de planejamento prévio por iniciativa.

Criar um documento de planejamento prévio por iniciativa, pra oficializar o processo, prever tempo de execução e definir métrica de sucesso antes de desenvolver. E uma agenda semanal para o time trocar ideia sobre processo e iniciativas.

04Meu papel

Encabecei o projeto do início ao fim, puxando a colaboração dos outros designers.

Peguei o resultado disperso do Health Check e transformei em um projeto com escopo definido: o que ia ser investigado, com que método, e até onde ia. Conduzi a fase de fundamentação: catalogar os 29 livros e frameworks, mapear a prática documentada das mais de 10 empresas de benchmark, desenhar as três perguntas da dinâmica aplicada ao time. Defini também a metodologia de cruzamento: sobrepor teoria, benchmark e prática real pra achar onde as três lentes discordavam, em vez de escrever o guia a partir de uma única fonte.

O que ficou claro

A fronteira nebulosa entre Discovery e Define (o achado mais importante do projeto) só apareceu porque seis pessoas discordaram entre si, e essa discordância virou dado, não ruído.

Quando a versão inicial ficou pronta, a decisão mais deliberada que tomei foi não terminar sozinho. Abri os seis templates que faltavam e distribuí um pra cada designer construir, e usei a nova agenda semanal (a Mesa Redonda) como espaço de revisão coletiva antes de publicar. Puxar a colaboração não foi delegar tarefa: foi garantir que quem ia usar o guia todo dia também tivesse assinado embaixo dele. Um documento imposto de cima pra baixo vira burocracia; um documento que o time ajudou a escrever vira ferramenta.

05Processo

Como sustentamos o guia: base de evidência do projeto.

Para evitar suposições, fundamentamos cada diretriz em fontes rastreáveis, apoiando-nos em três pilares: teoria consolidada, referências de mercado e práticas atuais do nosso time.

Board no FigJam com as etapas de benchmark e catalogação de referências teóricas
Fig. 02: Board de catalogaçãoEtapa 2 (Benchmark) e Etapa 3 (Catálogo de referências) organizadas lado a lado. Cada rótulo de card cita a fonte.
01

Teoria: 29 materiais catalogados

Catalogamos 29 livros e frameworks, de Continuous Discovery Habits (Teresa Torres) a Shape Up (Basecamp), passando por DACI, RAPID, Kanban e o Double Diamond. O aprofundamento que mais rendeu veio do DesignOps Handbook (Dave Malouf). Cada requisito carrega o nome do autor entre parênteses. Rastreabilidade da origem de cada decisão.

Capas de livros e frameworks catalogados: Continuous Discovery Habits, Shape Up, Sprint, Org Design for Design Orgs, Aurora, DesignOps Handbook, Double Diamond
Fig. 03: Parte do material catalogadoDe Continuous Discovery Habits ao DesignOps Handbook, cada um virou requisito rastreável no guia.
02

Benchmarking: 10+ empresas analisadas

Olhamos prática documentada de mais de 10 empresas (IBM, Intercom, Google, Amazon, Pinterest, Meta, Basecamp, InVision, Spotify, Microsoft e Airbnb), separando o que é processo publicado pela própria empresa do que é só princípio sem artefato público.

Logos e materiais das empresas analisadas no benchmark: IBM, Intercom, Pinterest, Spotify, Meta
Fig. 04: Empresas analisadasIBM, Intercom, Pinterest, Spotify, Meta, entre outras: processo publicado, não só princípio sem artefato.

"Relatou que não tem processo único e rígido, só rituais obrigatórios dentro de um processo flexível."

(Meta, sobre a própria prática de design)
03

Dinâmica com o time: três perguntas aplicadas

  • Onde está cada etapa e ritual dentro do processo: o mapa mental de onde cada entregável ou rito pertence no diamante duplo
  • Como essas etapas são aplicadas na prática, com frequência real: sempre, às vezes, raramente ou nunca
  • O que é imprescindível em cada etapa: o que é inegociável na visão de quem executa
Boards individuais de 6 designers (Igor, Vane, Jéssica, Caio, Anna, Dani) no FigJam mapeando o processo no diamante duplo
Fig. 05: Levantamento individualSeis designers, seis leituras do mesmo processo. A primeira evidência de que não havia um entendimento único do fluxo.

O resultado expôs uma fronteira nebulosa entre Discovery e Define. Discovery teve consenso máximo: 7 itens com 6 de 6 menções. Define teve consenso quase nulo. Só 1 item passou de 1 menção, e 16 cards migravam livremente entre as duas etapas conforme quem respondia. "Review" foi a única prática unânime como "sempre aplico" entre as 22 analisadas. Discovery concentrou 46 menções (44%) do que foi visto como inegociável, contra apenas 13 (12%) em Define.

Mapa consolidado das respostas dos 6 designers no diamante duplo, com colunas de nível de consenso por etapa (Discover, Define, Develop, Deliver)
Fig. 06: Consolidação por consensoDiscovery concentrou o maior consenso; Define, o menor. O sinal objetivo por trás da fronteira nebulosa.
Cards agrupados por frequência de aplicação: sempre aplico, às vezes aplico, raramente aplico, nunca aplico
Fig. 07: Frequência real de aplicaçãoO mesmo processo, visto pela frequência: o que o time diz que sempre faz nem sempre bate com o que o processo formal prevê.

O que os dados revelaram

Sobrepondo teoria, benchmarking e a dinâmica com o time, apareceram três versões do mesmo processo que quase nunca coincidem.

O que identificamos

Discovery é feito pela equipe, mas sem padrão comum. O que é inegociável varia por pessoa e por time, e a decisão de avançar acaba negociada caso a caso. Delivery já converge bem entre teoria, benchmarking e prática, sem impeditivos. E revisão entre pares é o único rito unânime nas três lentes. Funciona como está, não precisa mudar.

Dores e necessidades

Falta padrão de template e de critério em praticamente todas as etapas: o que perguntar, o que documentar, o que é obrigatório levar pra próxima fase. Cada time preenche esse vazio à sua maneira. A necessidade não é regra única de cima pra baixo. É desenhar, com o time, os templates e perguntas-guia que faltam em cada etapa.

Da pesquisa ao guia

01

Catalogação

Organização livro por livro e empresa por empresa, cada requisito com fonte citada.

02

Leitura assistida

Processamento dos livros, integrando conceitos-chave para aprofundamento.

03

Cruzamento

Análise dos padrões de consenso da dinâmica por etapa, eliminando contagem manual.

04

Organização e corte

Requisitos reorganizados para eliminar redundância e reduzir burocracia.

05

Criação do guia

Cada conversa originou um documento, base de conhecimento para a v0.

06

Revisão

A v0 foi revisada pelos designers no Confluence, item a item, com alterações registradas.

06Solução

Chegou uma demanda. E agora?

Um guia de uso diário, escrito em tom de conversa, com os termos técnicos explicados no próprio texto. A demanda chega e só cruza a seta quando o mínimo de cada etapa estiver respondido.

Documentação do processo de design Requisitos mínimos Aplicáveis a demandas de todos os portes

O fluxo completo, do intake ao delivery

Intake→ Dados gerais→ Kickoff 1→ Discovery→ Define→ Kickoff 2→ Develop→ Delivery
  • IntakePergunta se é problema ou solução disfarçada.
  • Dados geraisTraça o retrato inicial da demanda, com o PM.
  • Kickoff 1Alinha expectativas antes de investigar.
  • DiscoveryExecuta o plano e entende antes de agir.
  • DefineTraduz entendimento em direção.
  • Kickoff 2Abre o trabalho oficialmente.
  • DevelopProduz e testa a solução.
  • DeliveryEntrega e mede o resultado.

Todo requisito que pedia um artefato preenchível possui um template. Seis templates criados, cobrindo todas as etapas do fluxo.

Board no FigJam com os 6 templates agrupados (Kickoff, Dossiê de Definição, Brief, Cronograma, Critique, Blocos de Entrega), cada um com o avatar do designer responsável
Fig. 08: Central de templatesSeis peças, seis donos. O avatar em cada template é o designer responsável por ele.
  • Kickoff: recepção de demandas. Capta e tria qualquer pedido antes de entrar na fila do design: reúne o problema (não a solução), quem pede, por que agora, e a matriz de certezas e riscos do primeiro Kickoff.
  • Dossiê de Definição: registra a cadeia Fato → Insight → Oportunidade que fecha o Discovery, a prova por trás do Brief para quem entra no projeto depois.
  • Brief: fecha em uma página a direção decidida: valor, público, escopo, prazo e aprovador nomeado. Autoriza a passagem do Define para o Kickoff 2.
  • Critique: padrão único para critique de jornada, usado por Produto, Design, Engenharia, Dados e CS, jornada completa ou mudança pontual, convergindo para o mesmo fechamento.
  • Cronograma (Trio Sync): dá visibilidade contínua de onde a demanda está agora, sem ninguém precisar perguntar. Documento vivo, atualizado sempre que a realidade muda.
  • Roadmap do Quarter: decide com o PM a ordem e o corte do que será entregue, o elo entre a lista de oportunidades fechada e o Brief.
07Impacto

Ainda em validação. E isso está exposto, não escondido.

Diferente dos outros cases, aqui o impacto não é retrospectivo. É hipótese estruturada, com baseline levantado e coleta prevista.

Problema Solução Hipótese de impacto Evidência
Indicadores fracos no Health Check Requisitos mínimos Reduzir retrabalho por falta de critério Baseline: 0–1 de 6
Fronteira nebulosa Discovery↔Define Processo de fluxo único Papel de decisão nomeado por etapa 44% consenso em Discovery vs. 12% em Define
Falta de documento de requisito Templates Padronizar sem burocratizar A validar
Onboarding informal Guia de aplicação Facilitar entrada de novos designers A validar

A coleta de adoção real do MVP começa em Q4.

Mesa Redonda, sem espada

Encontro semanal fixo às terças, das dez às onze da manhã, onde o time discute processo e iniciativas em andamento. O espaço que não existia antes, e é ele que sustenta a evolução contínua do guia daqui pra frente.

08Aprendizados

O que esse projeto ensina sobre puxar padronização sem impor de cima para baixo.

  • Feedback vago é sintoma, não diagnóstico. Processo mal avaliado só virou problema acionável depois de decompor o que estava por trás daquela nota baixa
  • Padrão não nasce de opinião, nasce de cruzamento. Teoria sozinha vira dogma. Benchmark sozinho vira cópia. Ouvir só o time sem contraponto externo perpetua o viés que já existe. Foi juntando as três lentes que a fronteira nebulosa entre Discovery e Define apareceu
  • Distribuir a autoria aumenta a adesão. Cada template teve um designer dono, em vez de uma pessoa sozinha escrevendo regra para os outros seguirem
  • Rastreabilidade é parte do produto, não só da pesquisa. Cada requisito citando sua fonte (autor, empresa ou dado do próprio time) tornou o guia auditável, em vez de uma lista de regras arbitrárias
  • Nem todo impacto é imediato, e dá para dizer isso com honestidade. Documentar a hipótese em validação, em vez de esperar o resultado fechado para publicar, é coerente com o próprio princípio do projeto: decidir com o mínimo necessário, não com certeza total

Equipe envolvida

  • Igor LimaCondução do projeto
  • Anna MoreiraTemplate Brief
  • Vanessa WavrikCronograma e Roadmap
  • Caio RibeiroDossiê de Definição
  • Jéssica LoureiroCritique
  • Danielle PeredelskiPD Lead
Próximo

Tem um projeto em mente?

Fico feliz em detalhar
esse case numa conversa.

Se liderar padronização e DesignOps sem virar burocracia é algo que você precisa agora, vamos conversar.

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