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Regulatório · Fintech · Mobile

Open Finance
Mobile

A funcionalidade existia — mas não no canal em que o usuário mais usava o produto. Sem suporte mobile completo, jornadas críticas de consentimento e pagamento ficavam fragmentadas. O desafio era tornar um ecossistema técnico, regulado e naturalmente complexo em uma experiência fluida, segura e compreensível.

Open Finance Mobile First Regulatório · BACEN Consentimento Design de Confiança
+20pp
taxa de conversão na jornada
−47%
quantidade de etapas
2
blocos estratégicos redesenhados
100%
paridade entre app e desktop

Uma funcionalidade que existia — mas não onde o usuário estava.

O Open Finance já estava implementado no produto. O problema era que existia apenas no desktop — e o canal principal de interação dos usuários era o app. Jornadas críticas como gestão de consentimentos, autorizações e pagamentos via Open Finance exigiam que o usuário migrasse entre canais, quebrando a continuidade justamente nos momentos de maior sensibilidade.

Isso gerava uma cadeia de problemas: abandono de jornada em etapas intermediárias, baixa ativação da funcionalidade, percepção de incompletude do produto — e risco de não conformidade com as diretrizes do Banco Central, que preveem paridade funcional entre canais.

No contexto de Open Finance, paridade entre canais não é apenas boa prática. É requisito de conformidade — e, do ponto de vista do usuário, expectativa mínima.

Open Finance não falha por falta de funcionalidade. Falha quando o usuário não entende o que está acontecendo.

Open Finance é, por natureza, uma jornada de alta carga cognitiva. Ela envolve compartilhamento de dados sensíveis, consentimentos formais, autenticações adicionais, redirecionamento entre instituições e múltiplos atores com papéis distintos ao longo do fluxo.

No desktop, essa complexidade já exigia atenção. No mobile, ela precisava coexistir com contexto de uso rápido, menor tolerância à ambiguidade, espaço reduzido de interface e maior sensibilidade a interrupções.

Padrões de fricção
  • Abandono em etapas de consentimento
  • Insegurança em momentos de autenticação
  • Confusão sobre o papel das instituições envolvidas
  • Baixa previsibilidade em redirecionamentos
  • Dificuldade de entender se a ação estava em andamento ou concluída
Consequências
  • Baixa ativação da funcionalidade
  • Alto volume de abandono de jornada
  • Perda de confiança no ecossistema
  • Risco regulatório por não conformidade
  • Dependência do desktop para jornadas críticas
Diagnóstico

Qualquer ruído na experiência não gerava apenas fricção. Gerava desconfiança. E em Open Finance, quando o usuário não entende quem está pedindo acesso, ele simplesmente abandona.

Transformar uma exigência regulatória em uma jornada de ativação.

O objetivo não era apenas "ter a funcionalidade no app". Era construir uma experiência mobile que sustentasse confiança em um fluxo altamente sensível — e que convertesse usuários que antes abandonavam.

A experiência precisava cumprir três objetivos simultâneos e não negociáveis:

  • Clareza: tornar explícito o que está acontecendo em cada etapa, sem esconder a complexidade — apenas traduzi-la.
  • Controle: dar ao usuário previsibilidade sobre ações, autenticações e redirecionamentos antes que eles aconteçam.
  • Confiança: reduzir a sensação de risco em uma jornada que envolve dados financeiros sensíveis e múltiplas instituições.

Da leitura regulatória ao desenho da experiência mobile.

Atuei na estruturação da experiência mobile de Open Finance, com foco em transformar uma exigência regulatória em uma jornada de ativação mais clara, segura e escalável.

Minha atuação envolveu leitura e interpretação dos requisitos regulatórios do BACEN, decomposição das jornadas existentes no desktop, mapeamento de pontos de abandono e ambiguidade, definição dos princípios de experiência para o canal mobile e desenho dos fluxos orientados por clareza, controle e confiança.

Mais do que adaptar interfaces, o trabalho exigia responder: o que realmente precisa ser compreendido em cada etapa para o usuário seguir com segurança? Onde a complexidade é inevitável — e onde ela pode ser melhor traduzida?

Regulatório primeiro. Interface depois.

A primeira etapa do trabalho foi mapear com precisão o que era obrigatório, o que era flexível, onde havia risco de não conformidade e onde existia espaço real para simplificação.

1

Leitura e mapeamento regulatório

Antes de qualquer wireframe, entender o Guia de UX do BACEN e as obrigações específicas para canais mobile. Separar o que é margem de simplificação do que é restrição inegociável.

2

Desconstrução da jornada desktop

Não copiamos o fluxo web para o app. Desmontamos a lógica existente e reavaliamos cada etapa sob a ótica mobile, com uma pergunta central: o que o usuário precisa entender aqui para agir com confiança?

3

Mapeamento de pontos de abandono

Análise dos dados de funil existentes para identificar os momentos de maior desistência e insegurança. Os padrões revelaram que o abandono se concentrava em autenticações e redirecionamentos entre instituições.

4

Definição dos princípios de experiência

Clareza, controle e confiança como pilares não negociáveis. Cada decisão de interface precisava ser justificada à luz desses três critérios.

5

Redesenho mobile-first

Construção da jornada para funcionar com lógica de app — não como adaptação visual do desktop. Cada microdecisão de interface pensada para responder, de forma silenciosa, à pergunta mais importante: "posso confiar no que está acontecendo aqui?"

Mobile não é versão reduzida do desktop.

A experiência foi estruturada em dois blocos estratégicos — Gestão de Autorizações e Pagamentos via Open Finance — ambos redesenhados com foco em reduzir esforço cognitivo e aumentar compreensão contextual.

  • Consentimento progressivo: as informações são reveladas na medida em que são relevantes, evitando sobrecarga no início da jornada.
  • Antecipação de redirecionamentos: o usuário é informado antes de ser levado para outra instituição, eliminando a principal fonte de desconfiança.
  • Estados intermediários claros: feedback visual durante autenticações para que o usuário saiba que o processo está em andamento — não travado.
  • Seleção de contas simplificada: apresentação clara das contas disponíveis com saldo e elegibilidade visíveis, reduzindo decisões desnecessárias.
  • Biometria integrada naturalmente: autenticação segura posicionada como parte do fluxo, não como barreira.
  • Transparência sobre participantes: identidade das instituições envolvidas visível e compreensível em cada etapa relevante.
Princípio central do design

Não esconder a complexidade. Torná-la compreensível. A complexidade do Open Finance é real — o trabalho era traduzi-la, não mascará-la.

Account selection screen
Seleção de conta
Payment confirmation screen
Confirmação de pagamento
Cross-institution redirect screen
Redirecionamento entre instituições

Conformidade como base. Ativação como resultado.

+20pp
taxa de conversão na jornada de Open Finance
−47%
quantidade de etapas nos fluxos
100%
paridade funcional app × desktop
conformidade regulatória no canal mobile

O impacto mais relevante foi comportamental: a experiência deixou de funcionar como barreira e passou a atuar como facilitadora de ativação. Quando o usuário entende melhor a jornada, ele avança mais, abandona menos e confia mais no ecossistema.

O projeto também entregou uma base arquitetural sólida — estrutura pronta para receber novos fluxos financeiros no mobile sem precisar repensar os fundamentos de confiança e clareza já estabelecidos.

Conformidade sozinha não gera adoção.

  • Regulatório é ponto de partida, não destino. Cumprir as obrigações do BACEN era o mínimo. O valor estava em transformar essas obrigações em experiência.
  • Adaptar não é o mesmo que redesenhar. Copiar o fluxo do desktop para mobile teria preservado os mesmos problemas em uma tela menor. Era preciso reconstruir a lógica com os condicionantes do canal.
  • Transparência reduz abandono mais do que simplificação forçada. Tentar esconder etapas complexas aumentava a desconfiança. Explicar o que ia acontecer — antes de acontecer — diminuiu o abandono.
  • Em jornadas sensíveis, previsibilidade é a forma mais eficiente de construir confiança. O usuário não precisa entender o Open Finance para usá-lo — precisa entender o que vai acontecer a seguir.

"Open Finance não é apenas uma infraestrutura de integração financeira. É uma relação de confiança mediada por interface."

— Aprendizado estratégico do projeto

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